A gente tem se acostumado com tudo. Abrir os olhos, escovar os dentes, tomar um banho quente, vestir-se e pegar o transporte para o colégio ou trabalho tem se tornado automático. Não procuramos parar para sentir o Sol em nossa face ou a brisa fria da manhã a bagunçar nossos cabelos. Não nos damos conta da mesmice. Acostumamo-nos a ir aos mesmos lugares, sentar nas mesmas cadeiras, esperando o dia passar na frente da tela de um celular. Acostumamo-nos à má educação de não desejar um "bom dia", a receber um não. Ou vários nãos.
Acostumamo-nos a sentir pouco, a tentar pouco, por medo do novo. Medo. Nossa rotina está povoada de medo. Medo da morte, da novidade, de nós mesmos. Medo de sonhar e falhar. Acostumamo-nos a imitar robôs. Não sorrimos. Sorriso, diz o dicionário, é o ato de sorrir. Mas isso é muito mais que essa pobre definição. Sorriso é algo que se perdeu nas entranhas do dia a dia, entre a fumaça que sai do escapamento dos carros e as obrigações nas inúmeras papeladas dos trabalhos. A felicidade se perdeu e agora rotina é só mera rotina.
Acostumamo-nos a ler sobre as guerras e as necessidades do mundo. Conformamo-nos com a ideia de que não podemos fazer nada para mudar. E aceitamos os mortos, inúmeros, resultados de batalhas fúteis por poder. E dizemos a nós mesmos que é o curso natural das coisas. Também nos acostumamos com a nossa morte, tendo em mente que a vida se esvai e nada sobra além de pó. Acostumamo-nos a falar superficialmente, sem amor, sem vontade. Acostumamo-nos tanto que tudo tem perdido a essência aos poucos, aos montes. Temos nos perdido na selvageria da sociedade, que cultua uma perfeição inexistente.
Acostumamo-nos a ler sobre as guerras e as necessidades do mundo. Conformamo-nos com a ideia de que não podemos fazer nada para mudar. E aceitamos os mortos, inúmeros, resultados de batalhas fúteis por poder. E dizemos a nós mesmos que é o curso natural das coisas. Também nos acostumamos com a nossa morte, tendo em mente que a vida se esvai e nada sobra além de pó. Acostumamo-nos a falar superficialmente, sem amor, sem vontade. Acostumamo-nos tanto que tudo tem perdido a essência aos poucos, aos montes. Temos nos perdido na selvageria da sociedade, que cultua uma perfeição inexistente.
Acostumamo-nos. E que pena! Mas isto está longe de ser toda a verdade, que soa um tanto simplista quando dita secamente.
Isabelle Neves